Porque eu gosto de comer, oras!

Outro dia, perguntei a uma amiga, que estava com uns quilinhos a mais ‒ nada exagerado ‒, se isso a incomodava. 

Vaidosa, disse que sim. No entanto, quando perguntei do porquê engordara, sua resposta saiu sem filtro e com toda naturalidade do mundo: “porque eu gosto de comer”.

O assunto ‘mais gorda ou mais magra’ é delicado, principalmente no ambiente feminino. De verdade, detesto aquelas pessoas que falam: “como você engordou!” ou quando dizem de um jeito disfarçado: “está mais forte, não?” Sou daquelas pessoas narcisistas, que se preocupam com a aparência, e, para mim, ser magro significa estar mais bonito. Se parar para pensar, é pura besteira, mas sou assim, como milhões de pessoas. De um tempo para cá, associei baixa taxa de gordura corporal à saúde. Lógico, se você perdeu peso com acompanhamento de um profissional e não por doença. Por exemplo, a bulimia, anorexia ou colite.

Portando, não vou entrar nessa seara: se é bom ou não ficar mais magra. Lógico que falo em termos estéticos, pois, quando o excesso de peso está prejudicando sua saúde, é primordial perder os quilos a mais.

Contudo, a resposta da minha amiga “porque eu gosto de comer” me deixou confuso, afinal, muita gente gosta de comer, mas não fica comendo o tempo todo, nem devorando a comida. Para mim, quem gosta de comer, tem horários das refeições, come na mesa, sem celular, sem pressa, aprecia cada prato e, se possível, não repete, porque deixará espaço para a sobremesa e o docinho que virá com o café ou chá.

Escrevendo o artigo, me lembrei de jovem, quando visitei a Itália pela primeira vez. Depois de Roma, eu iria me encontrar com dois amigos em Madrid, e seguiríamos para Ibiza. Eu precisava de um calção de banho. Na loja da cidade do Coliseu, uma senhora, com a simpatia que só os brasileiros e os italianos têm, me atendeu às pressas. Ela comentou que a loja logo iria fechar para a sesta. Incrível, os italianos comiam, depois iam descansar e só às quatro da tarde reabriam o comércio. Na porta da loja, a senhora perguntou se eu gostaria de jantar no seu restaurante. Ela abriria as vinte e duas horas, após fechar sua loja. Concordei.

Bom, leitoras(es), nem preciso comentar: a comida e o local eram divinos. Lá eu percebi o que é apreciar uma refeição. Primeiro eles me trouxeram um aperitivo. Depois o antepasto. Em seguida veio a pasta, o prato principal — um suculento e tradicional osso buco —, a sobremesa, e por último o café com biscoitinhos. Fiquei duas horas e meia me deliciando com a comida romana. Ah! Ia me esquecendo: o vinho da casa era de tirar o fôlego. Na hora de pagar, minha nova amiga me ofereceu um digestivo, por conta da casa.

Fui para o hotel flutuando, feliz da vida. Que vida boa!

Publicado por jony1818

Sou coach, psicodramatista, triatleta e maratonista

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