Exercício da Gratidão

Exercer a gratidão é tão importante quanto correr uma maratona ou fazer duas horas de musculação. A gratidão foge dos nossos pensamentos sempre, porque temos a mania de reclamar e pedir. Só nos damos conta de que algo era bom quando o perdemos. Isso pode-se aplicar ao nosso corpo, pessoas que nos cercam, trabalho, dinheiro ou status.

Se tirarmos de lado perdas irreparáveis, diariamente temos pequenas perdas e decepções. Vamos a um exemplo:

Quando iniciei minhas corridas vespertinas, aos vinte anos, logo meu joelho reclamou. Depois de três a quatro quilômetros, ele chiava. Uma dor aguda se expandia no lado de fora do joelho. Se eu insistisse em correr, a dor aumentava a ponto de nem conseguir andar no dia seguinte. Infelizmente, na época, não se conhecia os benefícios do gelo, apenas um pouco de fisioterapia — bem simples — e repouso. Mais tarde descobri que parar era tão ruim quanto correr com o joelho machucado. Minha dor nada mais era do que um tendão inflamado.

Com o passar dos anos, descobri o gelo, as fisioterapias aprimoraram, e corria logo em seguida da dor passar. Os quilômetros foram aumentando até eu decidir fazer minha primeira maratona. Entretanto, nos treinos longos de sábado — entre vinte e trinta quilômetros —, meu joelho voltava a chiar.

Fui a vários ortopedistas, até que cheguei no Dr. Antônio Maseu de Castro. Simpático e de ar positivo, eu contei-lhe que meu joelho era problemático, pois, quando eu ultrapassava vinte ou trinta quilômetros correndo, ele começava a doer. A resposta do sábio médico foi determinante para eu ir em frente e desafiar minha primeira maratona: “Jony, um joelho que corre trinta quilômetros não é problemático, é excelente.”

Engoli seco suas palavras e, a partir daquele dia, nunca mais reclamei do meu joelho.

Mais para frente, veio dor no ombro pelo excesso de braçadas na natação, dor na lombar com o sobrepeso, dor no púbis, no tornozelo, na panturrilha, fascite plantar e muito mais. Tudo decorrente dos exercícios físicos e do passar do tempo. Aliás, falando em passar do tempo, me lembrei da minha sábia avó materna, a oma — avó em alemão — Ruth. Vez ou outra comentava: “netinho, você sabe o que é velhice? É quando uma nova dor aparece, mas a antiga não vai embora”. Após falar sua sábia constatação, ela sorria um sorriso de quem sabe aproveitar a vida, reclamar pouco e aceitar suas limitações.

Publicado por jony1818

Sou coach, psicodramatista, triatleta e maratonista

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