Companheirismo x Individualismo

 

Cada dia que passa, nós, como indivíduos, nos tornamos mais e mais individualistas.

É verdade que somos pessoas únicas, nascemos, vivemos e morremos dentro da nossa solidão. Nossas decisões e sofrimentos são apenas de nossa propriedade. No entanto, não somos lobos da estepe. O ser humano é comunitário, precisa de pessoas à sua volta.

A pandemia provou isso. Por mais que foi preciso ficar no isolamento, graças à tecnologia, permanecemos em contato diário com pessoas do trabalho e, principalmente, aquelas que amamos. As redes sociais estão nos ajudando a sofrer menos com o isolamento.

Durante os dias mais terríveis da pandemia, em que alguns países determinaram o lockdown, muitos eventos que aglomeram pessoas foram cancelados. Noutros não havia público. Foi o caso dos jogos de futebol. Particularmente, sou fanático por esse desporte. Adoro assistir aos jogos da Champions League — a Taça Libertadores dos europeus. Entristeceu-me ligar a televisão e ver os estádios com os jogadores, técnicos, o trio de arbitragem e ninguém mais. De verdade, perdi a vontade de acompanhar o campeonato.

Portanto, precisamos de gente ao nosso redor. Calma! Concordo que às vezes é importante estarmos sozinhos, mas, de uma maneira geral, precisamos do outro. O companheirismo precisa estar presente.

Porém, na atualidade, infelizmente, somos mais individualistas do que companheiros.

E o que é ser companheiro? Voltarei a apelar ao dicionário Aurélio. “Modo amistoso de convivência; modo cordial e prestimoso, característico de companheiro; camaradagem”. De verdade, fiquei na mesma. Vocês também? Vou tentar de novo, agora procurarei o significado de camaradagem. “Entendimento entre pessoas com interesses comuns; Comportamento ou ação de quem ajuda, auxilia.” Não ficou perfeito, mas vai ajudar no que estou pensando.

Outro dia, senti na pele a sensação de individualismo das pessoas. Sem entrar em detalhes, em um dado programa turístico, fiquei com a sensação de abandono. Meus amigos, ao invés de esperarem por mim, seguiram seus interesses pessoais e foram embora. Olha leitora-ouvinte, leitor-ouvinte, essa sensação é desesperadora, ela traz uma percepção de que ninguém se importa mais com ninguém.

Depois de alguns minutos, ainda digerindo o abandono, me lembrei dos meus pais, jovens. Eles e mais dois casais formavam uma trinca de duplas inseparáveis, principalmente em viagens. Cada casal escolhia um país para visitar, todos aceitavam sem reclamação e, no local escolhido, o casal era nomeado o cacique da turma. Até bastão ganhavam. Eles escolhiam os programas, os horários e as horas de folga. Todos acolhiam as regras sem reclamar. Ao contrário, divertiam-se com a brincadeira. Em momento algum, de maneira nenhuma, com sol ou chuva, um largava o outro, deixando a pessoa ou o casal desprotegido. Não existia fofoca nem panelinhas. Eles eram o que poderíamos chamar de companheiros genuínos.

Bons tempos! Quem sabe, se nos esforçarmos um pouquinho, nos tornamos mais companheiros e camaradas!…

Publicado por jony1818

Sou coach, psicodramatista, triatleta e maratonista

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