Valorize seus limites

Minha querida oma Ruth — vovó Ruth em alemão — sempre repetia: “sabe o que é velhice, netinho? É quando aparece uma nova dor e as antigas não foram embora”.

De um tempo para cá, descobri o que a sábia alemã com espírito carioca queria me dizer. Simples: aceite os limites que a idade nos impõe. Antes de tudo, aproveite esses limites. Aproveite? Pode me perguntar. Sim, aproveite e faça outras coisas tão prazerosas quanto as que realizava antes dos limites surgirem.

Quem não sente dor no joelho quando corre? Quem não tem dor na lombar depois de uma partida de tênis ou quando carrega uma mala pesada? Quem não pega resfriado com facilidade? Quem não tem dor no ombro? Quem não tem dor de estômago ou refluxo ao exagerar na comida? Todos nós. Depois de certa idade, apresentamos algum ou vários desses itens acima. Não estou jogando praga, é fato.

Deve-se ir ao médico, contornar a dor, mas isso não será o suficiente, pois o incômodo voltará. Por quê? Porque tudo em nós tem prazo de validade. De verdade, a genética, boa alimentação, atividades físicas moderadas e outros cuidados como: meditação, ioga e pilates, prorrogam os limites impostos pelo nosso corpo, mas não os eliminam em definitivo.

Então o que fazer? Vamos aproveitar nossos limites. Se já tivermos netinhos, sejamos bons vovôs e vovós, acompanhando o crescimento deles e ajudando nossos filhos a criá-los, pois, com mais idade, junto aos limites do nosso corpo, vem o conhecimento, a maturidade e a sabedoria. Se soubermos aproveitar e passar para frente os ensinamentos que a vida nos trouxe até hoje, podemos ser gratos às dores nos joelhos, nas costas e resfriados.

Todas as manhãs eu medito. De um tempo para cá, uso um aplicativo no celular. Nesse APP, cada dia tem uma meditação que traz uma nova mensagem. Hoje, a mensagem falava de um senhor da África Ocidental, que saiu muito cedo da sua pequena aldeia e foi estudar em Oxford. Depois ingressou na dificílima faculdade de Harvard, se formou e tornou-se um grande profissional. Anos depois, começou a ter dificuldade na vida por não saber quem realmente era ou quais eram as suas origens. Um dia, teve a ideia de voltar à África e pesquisar seus ancestrais e suas raízes. Os anciãos da sua tribo o receberam e deram abrigo. De noite se sentava com os idosos, na escuridão profunda, tentando absorver o conhecimento que eles compartilhavam. No entanto, para enxergar melhor, todas as noites, ele deixava acesa sua lanterna. Porém, certa noite, um dos idosos perguntou o porquê da lanterna. Ele respondeu que era para enxergar melhor. Daí, o idoso explicou: “Nem sempre acender a lanterna nos ajuda a enxergar melhor, porque, por vezes, vemos o que queremos ver ou o que somos pressionados a ver. Às vezes, precisamos diminuir a luz de fora no intuito de vermos as coisas com mais clareza”.

Então, podemos usar essa bela história para entendermos o que os limites do nosso corpo nos trazem de bom. Com ele, como no caso da escuridão, podemos enxergar coisas e pessoas ao nosso redor que, normalmente, de lanterna na mão, não percebemos.

Publicado por jony1818

Sou coach, psicodramatista, triatleta e maratonista

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: