Angústia somada a agonia — uma sensação de beco sem saída.

Entender nossos sentimentos é algo complicado. Assumi-los, mais ainda. Nesse espaço, podemos identificar e trabalhar nossas emoções.

Se por um lado a pandemia nos trouxe reflexões positivas, do outro, nos colocou em momentos de extrema angústia e agonia, porque o desconhecido, adicionado ao fato de não sabermos se a doença mundial irá acabar ou não, assusta. Isso gera angústia e agonia, emoções que todos nós já sentimos. No entanto, as duas em simultâneo pode ser algo novo.  

Para entendermos melhor a junção dessas duas emoções, seguirei com um exemplo: vamos imaginar um indivíduo — advogado — está no carro, em direção ao trabalho. Tudo normal, como diariamente. De repente, recebe uma ligação da sua secretária informando que seu principal cliente chegou sem avisar, furioso. Ela não sabe o que aconteceu, a pessoa apenas perguntou pelo advogado. Segundo a secretária, o homem anda de um lado ao outro, na mesma linha, consumindo o tecido do carpete. Sem saber do que se trata, o coração do advogado começa a palpitar. Na sua frente, o congestionamento habitual das segundas-feiras. Porém, com a pressa de logo chegar ao seu escritório e decifrar qual será o problema, o indivíduo começa a entrar em estado de angústia. O engatinhar do tráfego deixa o homem também agoniado. Cada segundo parece um minuto e cada minuto, uma hora. Seu estado é de tormento, tortura-se por dentro, começa a entrar o desespero. Respira com dificuldade. Seu estado de inquietação é tremendo. Agregado a esses sentimentos, por azar, surgem outros. O indivíduo tem uma sensação de fim, como se fosse morrer. Começa um mal-estar físico, enjoo, náusea. Sente-se como um mendigo de pés descalços, sem destino, com frio e calor ao mesmo tempo, uma forte dor de estômago parece uma pedra tomando conta de tudo no seu abdômen. Seu estado de afobação faz abandonar seu carro em cima da calçada. Corre a pé até o escritório.

Pausa. Quem já sentiu uma sensação similar do exemplo acima? Creio que todos. Se não foi totalmente assim, com certeza em parte. Imaginem a quantidade de coisas ruins que ruminaram na cabeça do pobre advogado. Seu principal cliente poderia estar furioso porque o processo foi perdido sem que soubesse. Ou pior, seu cliente vai mudar de escritório. 

Retornemos a história. O advogado chega no escritório e sugere que seu cliente entre na sua sala. Com apreensão, pede ao homem dizer o que deseja. Para sua surpresa, seu principal cliente diz que sua mulher pediu a separação, e ele precisa de um advogado de família. Mesmo sabendo que o escritório não atende caso como esse, por confiar demais no seu advogado, pede que ele o acompanhe no processo. Todo sofrimento em vão.

Portanto, quando a angústia vem com a agonia, a melhor coisa que podemos fazer e vivenciá-la. Como? Pode me perguntar. Direi o que eu faço: geralmente espero chegar o fim do dia, desligo as luzes e coloco uma música clássica. Procuro ficar em silêncio, de olhos fechados, esperando o sono chegar. Se não consigo dormir, tento não me afobar. Detalhe, desligo meu celular e não faço nenhuma atividade além de escutar a música e respirar. Aos poucos, me acalmo, pensamentos negativos são substituídos por positivos, e consigo adormecer.

Quando algo parecido acontecer com você, minha sugestão é de que procure entender os sentimentos e os aceite. Depois, ache sua própria maneira de se acalmar e sair do desagradável estado de beco sem saída.

Publicado por jony1818

Sou coach, psicodramatista, triatleta e maratonista

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